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Informação e Cultura-Clarêncio Fontes           Edição nº 582 do Jornal Povão

 

A MARAVILHA QUE É O OLHO HUMANO

 

Clarêncio Martins Fontes

(Dedico este trabalho ao eminente Dr. Mário Ursulino)

 

Quando deixam a glândula pineal e se detêm no olho em si, os cientistas ficam ainda mais maravilhados. Não faz muito tempo, um conferencista defensor da Teoria da Evolução queixou-se das dificuldades por que passou quando, ante as câmaras de televisão, foi interrogado sobre como pôde evoluir-se algo tão delicado e tão complexo como o olho humano. Tudo o que ofereceu aos telespectadores foi uma vaga sugestão de como poderia ter ocorrido a evolução.

O próprio Charles Robert Darwin lutou com o mesmo problema. Em carta pessoal a Asa Gray de 3 de abril de 1860, disse que ao pensar no olho humano ficava todo gelado. Em sua conhecida obra "A Origem das Espécies", o naturalista inglês considera um absurdo do mais alto grau que o olho humano, com seus dispositivos ilimitados para enxergar um foco em diferentes distâncias, para admitir distintas quantidades de luz e para corrigir aberrações esféricas e cromáticas possa ter-se formado por seleção natural!

De fato, não se pode explicar algo tão complexo e maravilhoso como o olho humano alegando meros processos evolutivos, pois todas as partes vitais do olho têm de ser perfeitas e estarem funcionando corretamente para que este possa enxergar. Não se conhece, na natureza, nenhum caso de olho em vias de desenvolvimento e que funcione. Até mesmo nas formas mais inferiores de vida, os olhos são capazes de cumprir plenamente a sua finalidade, diferindo sua complexidade somente quanto à graduação.

Segundo o conhecimento atual da ciência moderna, a parte externa do olho é apenas uma pequena parte de um globo pleno de uma substância gelatinosa, situada numa cavidade protetora do crânio. Essa substância gelatinosa, por sua vez, está envolvida por três camadas de tecidos. A externa, fibrosa e dura, chama-se esclerótica, e dela faz parte também o branco do olho, assim como a córnea transparente que cobre a abertura da pupila. Depois vem a camada rica em vasos sanguíneos, e, mais adiante, a retina, sobre a qual se formam as imagens tal como numa película de câmara fotográfica. A luz entra pela pupila e atravessa a lente cristalina, que se ajusta para enfocar os raios luminosos sobre a retina, onde há dois tipos de células receptoras: os cones e os bastonetes. Os cones servem à percepção da luz intensa, como diurna; os bastonetes destinam-se ao trabalho do olho durante a noite, em horas crepusculares. Segundo os cientistas, na retina humana encontram-se cerca de seis milhões de cones e perto de cento e trinta milhões de bastonetes. A lente cristalina do olho humano, que pesa de 20 a 25 centigramas, é um corpo lenticular e transparente, situado na parte anterior do humor vítreo do olho. Seu nome provém do fato de ser ele parecido com um cristal. É a lente biconvexa do olho. A complexidade e perfeição do aparelho da visão supera em grau quase infinito às do mais admirável aparelho fotográfico já fabricado pelo homem!

No processo da visão as diferentes células reagem de modo distinto ante as diversas cores e graus de intensidade luminosa. Elas captam o estímulo  luminoso e, mediante um processo fotoquímico, transmite ao cérebro os impulsos  nervosos, e de  lá, numa operação ainda não de todo esclarecida, esses impulsos se convertem em imagens vivas, tridimensionais, cheias de colorido e movimento, e que podem ser armazenadas para futuras lembranças.

 Para descrever a constituição e o funcionamento do mecanismo do olho humano, que é de incrível delicadeza e complexidade, as obras especializadas no assunto, fruto de exaustivas pesquisas, gastam páginas e mais páginas. Em verdade, ele constitui-se de elementos altamente diversificados e especializados, com músculos, ligamentos, membranas, fluidos, condutores, nervos, pigmentos e vasos sanguíneos, que trabalham em plena harmonia com  o propósito de produzir o sentido da visão.

É impossível que este órgão tão completo tenha tido desenvolvimento gradual. Se existisse tudo no olho, menos a lente cristalina, ele não funcionaria. Se houvesse tudo, menos a retina, não haveria imagem. É absolutamente necessário que todas as partes vitais estejam ali, em pleno funcionamento, para que o olho não seja inútil. É este um verdadeiro problema para os defensores da teoria evolucionista, pois esta sustenta que somente evolui aquilo que beneficie de imediato a criatura. Assim, os próprios evolucionistas reconhecem que as diferentes formas de vida animal não podem caminhar cegamente para duas, três ou mais gerações futuras, considerando as suas necessidades de planejar metas e buscar alcançá-las.

Suponhamos que alguma vez já tenha existido um olho parcial, e portanto inútil.Como admitir a possibilidade de sobrevivência de seu possuidor, uma vez que tal olho não se desenvolveria nem em mil gerações até chegar a ponto de permitir que a criatura possa ver, ou seja, com todas as suas partes funcionando na mais perfeita harmonia?

 A árvore evolutiva dos animais, apresentada pelos evolucionistas, mostra um largo e lento desenvolvimento do olho, com mecanismos defeituosos que não trabalham corretamente, mas que vão melhorando em sucessivas etapas. Não há nisso a menor coerência. A verdade é que à criatura têm sido dados olhos capazes de satisfazer perfeitamente suas necessidades básicas. A ostra, por exemplo, para poder sobreviver, precisa apenas perceber as sombras que passam ao seu redor, e por isso possui umas pequenas manchas sensíveis, capazes de detectar alterações na intensidade de luz incidida sobre o lugar onde se encontra. Essas manchas, embora possam ser classificadas de simples, todavia são completas. Funcionam e satisfazem às necessidades das ostras, o que é provado pela abundância da sua espécie.

NA INAUGURAÇÃO DE UM JORNAL

Fundar um jornal é instalar um farol.

Com efeito, qual é o destino de um farol?

Alertar sobre um perigo o navio que singra os mares, ou nortear-lhe a rota a seguir. Assim o jornal mostra ao povo os perigos que o ameaçam, ao mesmo tempo que o aconselha na orientação a seguir.

Grande é, pois, a responsabilidade que um jornal assume perante o público. Alavanca da opinião deve o jornal cercar-se de cuidados, para que a opinião pessoal de seus redatores não venha a influir de um modo maléfico sobre o leitor.

O jornal é sem dúvida, nos tempos modernos, a maior força que a mão do homem já empunhou. Nem mesmo o rádio lhe leva vantagem. A comunicação com o público por meio dessas duas instituições - jornal e rádio - tem seus métodos e características próprias. Se o rádio ganha em extensão, o jornal lhe leva vantagem em profundidade.

Pode-se mesmo afirmar que o rádio é o aperitivo para o jornal. Enquanto aquele desperta a atenção, esse traz a notícia completa, detalhada, satisfazendo, assim, a curiosidade do leitor.

O jornal tem para com seu público deveres que o inibem de descambar para o sensacionalismo. Órgão essencialmente informativo a ele cabe pôr seus leitores a par dos acontecimentos sem os deturpar ou alterar.

Daí decorre a grande responsabilidade que pesa sobre seus dirigente e orientadores. 

Deverão estes ser dotados de sólida cultura intelectual e moral e seu ânimo deve estar forrado contra todas as investidas de interesses subalternos .

Não é sem razão que a imprensa é considerada o quarto poder. Sentinela vigilante, a ela compete fiscalizar os atos daqueles que mantêm uma parcela do poder público. Não só fiscalizar, mas alertar os governantes para os perigos que significam tais ou quais atos de seus prepostos.

Vivendo do favor e simpatia da massa leitora, o jornal deverá ter as suas antenas receptoras constantemente orientadas para essa massa, a fim de captar-lhe os anseios, para, em letra de forma, fazê-los chegar até àqueles aos quais está afeto o bem-estar geral.

O jornal, senhores, é pois farol a espancar as trevas e é alavanca a impulsionar o progresso.

Que seus dirigentes se inspirem nos exemplos de um Evaristo da Veiga ou de um Líbero Badaró são os votos que eu faço.

 

Um peixinho com lentes bifocais

Assim como as ostras, inúmeras outras pequeninas criaturas possuem olhos que não podem ser chamados de simples. É o caso do pequeno peixe antilhano tipo tralhoto - o "quatro olhos" (anableps tetrophthalmus). Ele gosta de alimentar-se de migalhas que flutuam na superfície da água, mas tem de estar alerta aos inimigos, vigiando, tanto a superfície como abaixo dela. Isso seria impossível, não fossem os olhos bifocais que possui! De fato, tem quatro olhos porque cada um de seus olhos tem duas córneas e duas retinas separadas. Nadando ao nível da superfície da água, esse peixinho pode ver acima dela através do foco superior das lentes, e, ao mesmo tempo, sob a água, pelo foco inferior. Por este meio ajusta-se ao fato de que a luz viaja a velocidades diferentes no ar e na água. E, para manter sempre úmidas as pupilas superiores, de vez em quando ele mergulha a cabeça. Sem dúvida, um desenho magistral! Poderíamos esperar que um pequeno animal tenha olhos assim tão perfeitos e completos?

Até mesmo o padre Antônio Vieira, no seu famoso sermão aos peixes, pregado em São Luis do Maranhão, em 1654 - e que tinha por alvo condenar a ação dos ambiciosos colonos contra os indefesos índios - faz interessante referência ao "quatro olhos", já naquele tempo. Na linguagem típica da sua época, diz: "Navegando de aqui para o Pará (que é bem não fiquem de fora os peixes da nossa costa), vi correr pela tona da água de quando em quando, a saltos, um cardume de peixinhos que não conhecia; e como me dissessem que os portugueses lhes chamavam quatro-olhos, quis averiguar ocularmente a razão deste nome, e achei que verdadeiramente têm quatro olhos, em tudo de cabais e perfeitos. Dá graças a Deus, lhe disse, e louva a liberalidade de sua divina providência para contigo; pois as águias, que são os linces do ar, deu  somente dois olhos, e aos linces, que são as águias da terra, também dois; e a ti, peixinho, quatro.

"Mais me admirei ainda, considerando nesta maravilha a circunstância do lugar. Tantos instrumentos de vista a um bichinho do mar, nas praias daquelas mesmas terras vastíssimas, onde permite Deus que estejam vivendo em cegueira tantos milhares de gentes há tantos séculos! Oh! quão altas e incompreensíveis são as razões de Deus, e quão profundo o abismo de seus juízos!

 

10 de setembro, fundação do 1º jornal do Brasil, Dia da Imprensa e do Jornalista

O CIRLAP outorga o Laurel "Honra ao Mérito da Sergipanidade" à cinquenta personalidades e comemora o Centenário do grande brasileiro e jornalista Joaquim Nabuco, sobre o qual proferirá Palestra o autor desta Página, abordando também conhecimentos históricos sobre a Imprensa.

Local: Auditório da A.S.I., às 20h, à Rua Itabaianinha, 261 - 2º andar - centro de Aracaju. Telefone para contato: 9999.3033.

 

 

 

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