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A MARAVILHA
QUE É O OLHO HUMANO
Clarêncio Martins Fontes
(Dedico
este trabalho ao eminente Dr. Mário Ursulino)
Quando
deixam a glândula pineal e se detêm no olho em si, os
cientistas ficam ainda mais maravilhados. Não faz muito tempo,
um conferencista defensor da Teoria da Evolução queixou-se das
dificuldades por que passou quando, ante as câmaras de
televisão, foi interrogado sobre como pôde evoluir-se algo tão
delicado e tão complexo como o olho humano. Tudo o que
ofereceu aos telespectadores foi uma vaga sugestão de como
poderia ter ocorrido a evolução.
O próprio
Charles Robert Darwin lutou com o mesmo problema. Em carta
pessoal a Asa Gray de 3 de abril de 1860, disse que ao pensar
no olho humano ficava todo gelado. Em sua conhecida obra "A
Origem das Espécies", o naturalista inglês considera um
absurdo do mais alto grau que o olho humano, com seus
dispositivos ilimitados para enxergar um foco em diferentes
distâncias, para admitir distintas quantidades de luz e para
corrigir aberrações esféricas e cromáticas possa ter-se
formado por seleção natural!
De fato,
não se pode explicar algo tão complexo e maravilhoso como o
olho humano alegando meros processos evolutivos, pois todas as
partes vitais do olho têm de ser perfeitas e estarem
funcionando corretamente para que este possa enxergar. Não se
conhece, na natureza, nenhum caso de olho em vias de
desenvolvimento e que funcione. Até mesmo nas formas mais
inferiores de vida, os olhos são capazes de cumprir plenamente
a sua finalidade, diferindo sua complexidade somente quanto à
graduação.
Segundo o
conhecimento atual da ciência moderna, a parte externa do olho
é apenas uma pequena parte de um globo pleno de uma substância
gelatinosa, situada numa cavidade protetora do crânio. Essa
substância gelatinosa, por sua vez, está envolvida por três
camadas de tecidos. A externa, fibrosa e dura, chama-se
esclerótica, e dela faz parte também o branco do olho, assim
como a córnea transparente que cobre a abertura da pupila.
Depois vem a camada rica em vasos sanguíneos, e, mais adiante,
a retina, sobre a qual se formam as imagens tal como numa
película de câmara fotográfica. A luz entra pela pupila e
atravessa a lente cristalina, que se ajusta para enfocar os
raios luminosos sobre a retina, onde há dois tipos de células
receptoras: os cones e os bastonetes. Os cones servem à
percepção da luz intensa, como diurna; os bastonetes destinam-se
ao trabalho do olho durante a noite, em horas crepusculares.
Segundo os cientistas, na retina humana encontram-se cerca de
seis milhões de cones e perto de cento e trinta milhões de
bastonetes. A lente cristalina do olho humano, que pesa de 20
a 25 centigramas, é um corpo lenticular e transparente,
situado na parte anterior do humor vítreo do olho. Seu nome
provém do fato de ser ele parecido com um cristal. É a lente
biconvexa do olho. A complexidade e perfeição do aparelho da
visão supera em grau quase infinito às do mais admirável
aparelho fotográfico já fabricado pelo homem!
No processo
da visão as diferentes células reagem de modo distinto ante as
diversas cores e graus de intensidade luminosa. Elas captam o
estímulo luminoso e, mediante um processo fotoquímico,
transmite ao cérebro os impulsos nervosos, e de lá, numa
operação ainda não de todo esclarecida, esses impulsos se
convertem em imagens vivas, tridimensionais, cheias de
colorido e movimento, e que podem ser armazenadas para futuras
lembranças.
Para
descrever a constituição e o funcionamento do mecanismo do
olho humano, que é de incrível delicadeza e complexidade, as
obras especializadas no assunto, fruto de exaustivas pesquisas,
gastam páginas e mais páginas. Em verdade, ele constitui-se de
elementos altamente diversificados e especializados, com
músculos, ligamentos, membranas, fluidos, condutores, nervos,
pigmentos e vasos sanguíneos, que trabalham em plena harmonia
com o propósito de produzir o sentido da visão.
É
impossível que este órgão tão completo tenha tido
desenvolvimento gradual. Se existisse tudo no olho, menos a
lente cristalina, ele não funcionaria. Se houvesse tudo, menos
a retina, não haveria imagem. É absolutamente necessário que
todas as partes vitais estejam ali, em pleno funcionamento,
para que o olho não seja inútil. É este um verdadeiro problema
para os defensores da teoria evolucionista, pois esta sustenta
que somente evolui aquilo que beneficie de imediato a criatura.
Assim, os próprios evolucionistas reconhecem que as diferentes
formas de vida animal não podem caminhar cegamente para duas,
três ou mais gerações futuras, considerando as suas
necessidades de planejar metas e buscar alcançá-las.
Suponhamos
que alguma vez já tenha existido um olho parcial, e portanto
inútil.Como admitir a possibilidade de sobrevivência de seu
possuidor, uma vez que tal olho não se desenvolveria nem em
mil gerações até chegar a ponto de permitir que a criatura
possa ver, ou seja, com todas as suas partes funcionando na
mais perfeita harmonia?
A árvore
evolutiva dos animais, apresentada pelos evolucionistas,
mostra um largo e lento desenvolvimento do olho, com
mecanismos defeituosos que não trabalham corretamente, mas que
vão melhorando em sucessivas etapas. Não há nisso a menor
coerência. A verdade é que à criatura têm sido dados olhos
capazes de satisfazer perfeitamente suas necessidades básicas.
A ostra, por exemplo, para poder sobreviver, precisa apenas
perceber as sombras que passam ao seu redor, e por isso possui
umas pequenas manchas sensíveis, capazes de detectar
alterações na intensidade de luz incidida sobre o lugar onde
se encontra. Essas manchas, embora possam ser classificadas de
simples, todavia são completas. Funcionam e satisfazem às
necessidades das ostras, o que é provado pela abundância da
sua espécie.
NA
INAUGURAÇÃO DE UM JORNAL
Fundar um
jornal é instalar um farol.
Com efeito,
qual é o destino de um farol?
Alertar
sobre um perigo o navio que singra os mares, ou nortear-lhe a
rota a seguir. Assim o jornal mostra ao povo os perigos que o
ameaçam, ao mesmo tempo que o aconselha na orientação a seguir.
Grande é,
pois, a responsabilidade que um jornal assume perante o
público. Alavanca da opinião deve o jornal cercar-se de
cuidados, para que a opinião pessoal de seus redatores não
venha a influir de um modo maléfico sobre o leitor.
O jornal é
sem dúvida, nos tempos modernos, a maior força que a mão do
homem já empunhou. Nem mesmo o rádio lhe leva vantagem. A
comunicação com o público por meio dessas duas instituições -
jornal e rádio - tem seus métodos e características próprias.
Se o rádio ganha em extensão, o jornal lhe leva vantagem em
profundidade.
Pode-se
mesmo afirmar que o rádio é o aperitivo para o jornal.
Enquanto aquele desperta a atenção, esse traz a notícia
completa, detalhada, satisfazendo, assim, a curiosidade do
leitor.
O jornal
tem para com seu público deveres que o inibem de descambar
para o sensacionalismo. Órgão essencialmente informativo a ele
cabe pôr seus leitores a par dos acontecimentos sem os
deturpar ou alterar.
Daí decorre
a grande responsabilidade que pesa sobre seus dirigente e
orientadores.
Deverão
estes ser dotados de sólida cultura intelectual e moral e seu
ânimo deve estar forrado contra todas as investidas de
interesses subalternos .
Não é sem
razão que a imprensa é considerada o quarto poder. Sentinela
vigilante, a ela compete fiscalizar os atos daqueles que
mantêm uma parcela do poder público. Não só fiscalizar, mas
alertar os governantes para os perigos que significam tais ou
quais atos de seus prepostos.
Vivendo do
favor e simpatia da massa leitora, o jornal deverá ter as suas
antenas receptoras constantemente orientadas para essa massa,
a fim de captar-lhe os anseios, para, em letra de forma,
fazê-los chegar até àqueles aos quais está afeto o bem-estar
geral.
O jornal,
senhores, é pois farol a espancar as trevas e é alavanca a
impulsionar o progresso.
Que seus
dirigentes se inspirem nos exemplos de um Evaristo da Veiga ou
de um Líbero Badaró são os votos que eu faço.
Um peixinho com lentes bifocais
Assim como
as ostras, inúmeras outras pequeninas criaturas possuem olhos
que não podem ser chamados de simples. É o caso do pequeno
peixe antilhano tipo tralhoto - o "quatro olhos" (anableps
tetrophthalmus). Ele gosta de alimentar-se de migalhas que
flutuam na superfície da água, mas tem de estar alerta aos
inimigos, vigiando, tanto a superfície como abaixo dela. Isso
seria impossível, não fossem os olhos bifocais que possui! De
fato, tem quatro olhos porque cada um de seus olhos tem duas
córneas e duas retinas separadas. Nadando ao nível da
superfície da água, esse peixinho pode ver acima dela através
do foco superior das lentes, e, ao mesmo tempo, sob a água,
pelo foco inferior. Por este meio ajusta-se ao fato de que a
luz viaja a velocidades diferentes no ar e na água. E, para
manter sempre úmidas as pupilas superiores, de vez em quando
ele mergulha a cabeça. Sem dúvida, um desenho magistral!
Poderíamos esperar que um pequeno animal tenha olhos assim tão
perfeitos e completos?
Até mesmo o
padre Antônio Vieira, no seu famoso sermão aos peixes, pregado
em São Luis do Maranhão, em 1654 - e que tinha por alvo
condenar a ação dos ambiciosos colonos contra os indefesos
índios - faz interessante referência ao "quatro olhos", já
naquele tempo. Na linguagem típica da sua época, diz: "Navegando
de aqui para o Pará (que é bem não fiquem de fora os peixes da
nossa costa), vi correr pela tona da água de quando em quando,
a saltos, um cardume de peixinhos que não conhecia; e como me
dissessem que os portugueses lhes chamavam quatro-olhos, quis
averiguar ocularmente a razão deste nome, e achei que
verdadeiramente têm quatro olhos, em tudo de cabais e
perfeitos. Dá graças a Deus, lhe disse, e louva a liberalidade
de sua divina providência para contigo; pois as águias, que
são os linces do ar, deu somente dois olhos, e aos linces,
que são as águias da terra, também dois; e a ti, peixinho,
quatro.
"Mais me
admirei ainda, considerando nesta maravilha a circunstância do
lugar. Tantos instrumentos de vista a um bichinho do mar, nas
praias daquelas mesmas terras vastíssimas, onde permite Deus
que estejam vivendo em cegueira tantos milhares de gentes há
tantos séculos! Oh! quão altas e incompreensíveis são as
razões de Deus, e quão profundo o abismo de seus juízos!
10 de
setembro, fundação do 1º jornal do Brasil, Dia da Imprensa e
do Jornalista
O CIRLAP
outorga o Laurel "Honra ao Mérito da Sergipanidade" à
cinquenta personalidades e comemora o Centenário do grande
brasileiro e jornalista Joaquim Nabuco, sobre o qual proferirá
Palestra o autor desta Página, abordando também conhecimentos
históricos sobre a Imprensa.
Local:
Auditório da A.S.I., às 20h, à Rua Itabaianinha, 261 - 2º
andar - centro de Aracaju. Telefone para contato: 9999.3033.
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