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Entre
4 paredes
Eu
sou da filosofia de que entre quatro paredes o casal deve
estar livre de conceitos, regras ou convenções sociais. Cabe
ao par estabelecer suas próprias regras, pois cada ser humano
tem os seus próprios valores e ideais de vida. Eu estou
falando sobre isso agora, porque tenho consciência que muitos
casamentos fracassam porque um ou outro está mais preocupado
em atender as expectativas de familiares ou agradar a
sociedade como um todo do que interessado em investir na própria
relação e corresponder às expectativas do companheiro.
A
vida a dois exige sacrifícios e concessões. Quando levamos
uma vida em comum não é fácil conciliar às diferenças,
aceitar os defeitos, o mau humor e a falta de entusiasmo que,
vez por outra, toma conta do relacionamento. A admiração
pelo outro ou o encanto, às vezes, parece que acaba e os
sentimentos se confundem. As pessoas mudam e continuar em
sintonia não é fácil. Mas tenho consciência de que não
basta gostar muito de alguém para superar os conflitos e
crescer com a relação.
É
preciso aprender a conviver com o outro, respeitando suas
fraquezas e limites. Entre quatro paredes é o local onde o
casal expõe toda a sua verdade e os seus anseios mais
secretos. Talvez um ou outro descubra detalhes de si mesmo dos
quais não goste, mas então terá a oportunidade de mudar. É
o ambiente onde as características pessoais se desnudam junto
com os corpos e os sentimentos passam a ser muito mais
importantes do que os conceitos ou as regras.
A
mulher é exigente consigo mesma e transfere seu 'padrão de
qualidade' para a relação. Por isso, reclama e exige maior
atenção do seu par. Ela ainda sonha com o príncipe
encantado e esquece que homem perfeito não existe. Todavia, há
chances reais de transformar seu marido no amante ideal. Só
que o homem não tem a mesma sensibilidade nem o mesmo
sentimento de entrega. É mais vulnerável em suas emoções e
age mais em função do seu instinto sexual. Mas isso não
significa que os homens estão indiferentes aos sentimentos e
emoções de sua parceira.
O
problema é que a maioria das mulheres acha que os homens só
pensam em sexo, e quando se sentem insatisfeitas na cama, começam
a pensar que o marido está tendo um caso ou que já não são
tão atraentes como antes. É o começo do desajuste do casal.
Por isso, na vida íntima a esposa tem que procurar ser uma
boa amante, despertar a libido do parceiro, seja tomando a
iniciativa, propondo variações ou mostrando com atitudes que
é tão ardente e interessante como qualquer outra mulher, que
por ventura ele venha a procurar fora do casamento.
O
fato é que muitas continuam presas a antigos tabus ou
preconceitos e acabam comprometendo o desempenho e o interesse
sexual do marido, que aos poucos vai perdendo o entusiasmo por
não se sentir desejado como no início da união. Uma vez
frustrado em suas expectativas, sente-se encorajado a buscar
fora de casa o que não consegue realizar com a mulher que
escolheu para compartilhar seus sonhos, desejos e fantasias.
Por isso, costumo dizer que esposa inteligente é aquela que
sabe seduzir, que não tem falsos pudores, que é carinhosa,
que se produz pensando em surpreender o companheiro e não
para agradar aos olhos das amigas ou chamar a atenção dos
outros homens por onde passa.
Todos
nós sabemos que as mudanças no comportamento sexual da
mulher têm história recente, que o direito ao prazer ainda
é motivo de muita discussão e de conflitos íntimos,
porque não conseguiu se libertar totalmente de velhos
padrões de comportamento que lhes foram impostos ao longo do
tempo. Por outro lado, é preciso entender que as fantasias
das pessoas têm uma história familiar, afetiva e cultural.
Talvez os homens, por terem recebido uma educação menos
proibitiva e possuírem um ímpeto sexual maior, sejam mais
exigentes quanto ao desempenho e a sua satisfação no sexo.
Mas é importante lembrar que, hoje, as próprias mulheres já
não aceitam uma sexualidade insatisfatória.
Diferenças
culturais à parte, ou os maridos estão sendo rigorosos
demais ou está faltando diálogo entre os casais. As mulheres
precisam falar o que sentem, o que querem e como gostam de ser
tratadas na cama. Sexo bom é sexo sem-vergonha, com carinho e
cumplicidade, melhor ainda. Entre quatro paredes tudo é
permitido, desde quando realizado de comum acordo. Que as
esposas se esforcem para serem mais ardentes e apaixonadas -
os homens também precisam se sentir desejados.
Nem
só de amor vive a mulher e nem só de sexo vive o homem. É
preciso buscar o ponto de equilíbrio. Quem sabe, assim se
chegue a uma solução para a eterna insatisfação do ser
humano, com o que ele tem e com o que ele quer.
adalbertoava@bol.com.br
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