| Histórico | Expediente |
Jornal Povão --- comunicação       com responsabilidade ---
Menu

 

 

 

 

 

 
Falando Sério - Adalberto Vasconcelos - Edição nº 558 do Jornal Povão

 

 

Entre 4 paredes

 

Eu sou da filosofia de que entre quatro paredes o casal deve estar livre de conceitos, regras ou convenções sociais. Cabe ao par estabelecer suas próprias regras, pois cada ser humano tem os seus próprios valores e ideais de vida. Eu estou falando sobre isso agora, porque tenho consciência que muitos casamentos fracassam porque um ou outro está mais preocupado em atender as expectativas de familiares ou agradar a sociedade como um todo do que interessado em investir na própria relação e corresponder às expectativas do companheiro.

A vida a dois exige sacrifícios e concessões. Quando levamos uma vida em comum não é fácil conciliar às diferenças, aceitar os defeitos, o mau humor e a falta de entusiasmo que, vez por outra, toma conta do relacionamento. A admiração pelo outro ou o encanto, às vezes, parece que acaba e os sentimentos se confundem. As pessoas mudam e continuar em sintonia não é fácil. Mas tenho consciência de que não basta gostar muito de alguém para superar os conflitos e crescer com a relação.

É preciso aprender a conviver com o outro, respeitando suas fraquezas e limites. Entre quatro paredes é o local onde o casal expõe toda a sua verdade e os seus anseios mais secretos. Talvez um ou outro descubra detalhes de si mesmo dos quais não goste, mas então terá a oportunidade de mudar. É o ambiente onde as características pessoais se desnudam junto com os corpos e os sentimentos passam a ser muito mais importantes do que os conceitos ou as regras.

A mulher é exigente consigo mesma e transfere seu 'padrão de qualidade' para a relação. Por isso, reclama e exige maior atenção do seu par. Ela ainda sonha com o príncipe encantado e esquece que homem perfeito não existe. Todavia, há chances reais de transformar seu marido no amante ideal. Só que o homem não tem a mesma sensibilidade nem o mesmo sentimento de entrega. É mais vulnerável em suas emoções e age mais em função do seu instinto sexual. Mas isso não significa que os homens estão indiferentes aos sentimentos e emoções de sua parceira.

O problema é que a maioria das mulheres acha que os homens só pensam em sexo, e quando se sentem insatisfeitas na cama, começam a pensar que o marido está tendo um caso ou que já não são tão atraentes como antes. É o começo do desajuste do casal. Por isso, na vida íntima a esposa tem que procurar ser uma boa amante, despertar a libido do parceiro, seja tomando a iniciativa, propondo variações ou mostrando com atitudes que é tão ardente e interessante como qualquer outra mulher, que por ventura ele venha a procurar fora do casamento.

O fato é que muitas continuam presas a antigos tabus ou preconceitos e acabam comprometendo o desempenho e o interesse sexual do marido, que aos poucos vai perdendo o entusiasmo por não se sentir desejado como no início da união. Uma vez frustrado em suas expectativas, sente-se encorajado a buscar fora de casa o que não consegue realizar com a mulher que escolheu para compartilhar seus sonhos, desejos e fantasias. Por isso, costumo dizer que esposa inteligente é aquela que sabe seduzir, que não tem falsos pudores, que é carinhosa, que se produz pensando em surpreender o companheiro e não para agradar aos olhos das amigas ou chamar a atenção dos outros homens por onde passa.

Todos nós sabemos que as mudanças no comportamento sexual da mulher têm história recente, que o direito ao prazer ainda é motivo de muita discussão e de conflitos íntimos,  porque não conseguiu se libertar totalmente de velhos padrões de comportamento que lhes foram impostos ao longo do tempo. Por outro lado, é preciso entender que as fantasias das pessoas têm uma história familiar, afetiva e cultural. Talvez os homens, por terem recebido uma educação menos proibitiva e possuírem um ímpeto sexual maior, sejam mais exigentes quanto ao desempenho e a sua satisfação no sexo. Mas é importante lembrar que, hoje, as próprias mulheres já não aceitam uma sexualidade insatisfatória.

Diferenças culturais à parte, ou os maridos estão sendo rigorosos demais ou está faltando diálogo entre os casais. As mulheres precisam falar o que sentem, o que querem e como gostam de ser tratadas na cama. Sexo bom é sexo sem-vergonha, com carinho e cumplicidade, melhor ainda. Entre quatro paredes tudo é permitido, desde quando realizado de comum acordo. Que as esposas se esforcem para serem mais ardentes e apaixonadas - os homens também precisam se sentir desejados. 

Nem só de amor vive a mulher e nem só de sexo vive o homem. É preciso buscar o ponto de equilíbrio. Quem sabe, assim se chegue a uma solução para a eterna insatisfação do ser humano, com o que ele tem e com o que ele quer.

 

 

adalbertoava@bol.com.br

Voltar

   
Capa


Enquete

Previsão do Tempo


Consulta
 
  Principal | Editorial | Box | Política | Jurídico | Cultura | Turismo | Colunistas | Entrevistas | Alfinetadas | Histórico| Expediente| Capa